Dia dos Pais

de Dennis Downing

Este dia dos pais nós temos no noticiário do Brasil dois exemplos que chamaram muita atenção nos últimos tempos.

O primeiro exemplo nós vamos lembrar agora. O segundo lembraremos um pouco mais adiante.

Na madrugada de sábado dia 23 de junho de 2007, Sirlei Dias saiu cedo do apartamento onde trabalha como doméstica na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio. Ela estava indo para uma consulta médica. Como qualquer pessoa pobre, que depende da rede pública hospitalar, ela tinha que chegar cedo, senão, poderia perder a vaga.

Enquanto Sirlei aguardava numa parada de ônibus, quatro jovens desceram de um Gol e começaram a puxar a bolsa dela e agredi-la.

De acordo com Sirlei, “Levei muitos pontapés e chutes no rosto. Coloquei o braço na frente, para me proteger e eles passaram a me dar socos e cotevaladas na cabeça”.

Os quatro jovens e o motorista do carro eram todos de classe alta. São moradores de condomínios de luxo na Barra da Tijuca. Todos os jovens são alunos de faculdades em cursos como Turismo, Administração e Direito.

O pai de um dos agressores chamou o que seu filho fez de “deslize” e ainda declarou sobre a agressão que “Sirley é mais frágil por ser mulher, por isso fica roxa com apenas uma encostada”.

O mesmo pai ainda disse que, se pudesse, daria uma surra em seu filho pelo que fez.

Podemos ver nas atitudes daquele pai aquilo que foi refletido nas ações do filho.

Por um lado ele minimizou a agressão a um outro ser humano, neste caso uma mulher sem condições de se defender.

Por outro lado, se o pai estaria disposto a dar uma surra em seu filho adulto já vemos de onde deve ter partido as lições de casa que acabaram naquela agressão.

Todos os pais reconheceram que a agressão que seus filhos cometeram foi errado. Alguns tentaram minimizar, mas, todos reconheceram que foi errado.

Todos queriam que o episódio não tivesse ocorrido, mas, infelizmente já era tarde demais.

Houve um pai naquela história que parece ter dado a lição certa aos seus filhos.

Infelizmente, foi o pai da vítima.

Não foi um pai de classe media ou alta, com educação e dinheiro. Não foi um pai que tinha condições de dar tudo na vida a seus filhos.

Foi um pedreiro de 54 anos e quatro filhos. Um homem simples e sem muita educação, mas, que soube educar seus filhos com amor e respeito pelos outros.

Depois de saber dos comentários dos pais dos jovens privilegiados que agrediram sua filha, o pai de Sirlei, Seu Renato Moreira Carvalho disse “Eu criei quatro filhos e nunca tive condições de dar uma bicicleta para eles, mas, soube dar limites”. “Eu criei quatro filhos e nunca tive condições de dar uma bicicleta para eles, mas, soube dar limites”.

Um dos maiores presentes que um pai pode dar a seu filho é justamente limites.

Como são esses limites?

1. Começa com o ensino sobre Deus.

Dt 6:6-7 LH - “Guardem sempre no coração as leis que eu lhes estou dando e não deixem de ensiná-las aos seus filhos. Repitam essas leis em casa e fora de casa, quando se deitarem e quando se levantarem”.

Dt 11:18-19 LH - “Amarrem essas leis nos braços e na testa, para que não se esqueçam delas, e não deixem de ensiná-las aos seus filhos”.

Dt 31:12-13 LH - “Reúnam todo o povo - homens, mulheres, crianças e os estrangeiros que moram nas cidades onde vocês vivem - para que ouçam a leitura, aprendam a Lei, temam O Eterno, o nosso Deus, e obedeçam fielmente a tudo o que a Lei manda. Assim os seus descendentes que ainda não conhecerem a Lei de Deus também ouvirão a leitura e aprenderão a temer o Eterno, o nosso Deus, durante todo o tempo em que viverem na terra que fica do outro lado do rio Jordão e que vai ser do povo de Israel”.

É preciso transmitir os princípios básicos que regem a fé e o comportamento
não apenas ao primogênito,
não apenas ao herdeiro,
não apenas às filhas,
não apenas aos mais dóceis,
não apenas aos de tendência mais religiosa.
Não apenas a Jacó, mais caseiro e mais místico, mas também a Esaú, mais independente e mais profano.
Não apenas a Abel, mas também a Caim.
A casa toda, o que vale dizer a família inteira, tem de pertencer ao Senhor.
Daí as palavras de Josué: “Eu e a minha casa serviremos ao Senhor” (Js 24:15).
O que você faz ou não faz hoje vai ter um impacto não somente nos seus filhos, mas para gerações.
[de um artigo na revista “Ultimato” chamado “A Lei Da Transmissão”, Ultimato, Nov., ‘97, pp. 32-33]

2. O segundo passo é o respeito pelos próprios pais.

Êxodo 20:12 “Honra teu pai e tua mãe, a fim de que tenhas vida longa na terra que o SENHOR, o teu Deus, te dá.”

Como Paulo lembrou, este é o primeiro mandamento com uma promessa (Efé 6:2).

Quer que seus filhos sejam abençoados por Deus? Ensine-os a lhe respeitarem

Como é que você ensina filhos a lhe respeitarem?

Primeiramente sendo homens que inspiram respeito.

Nós não ganhamos ou exigimos respeito. Nós inspiramos.

Se seu filho lhe ouve ensinando a não mentir, mas, vê você dizendo à esposa quando aquele colega chato liga “diga a ele que não ‘tô aqui”, você está inspirando respeito ou desrespeito?

Se você é casado com a mãe dele, mas, não consegue parar de olhar para outras mulheres, este é um exemplo para respeitar?

Se você, ao tentar colocar limites, excede os limites na disciplina, ele vai lhe respeitar?

“E vós, pais, não provoqueis vossos filhos à ira, mas criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor.” Efésios 6:4

A disciplina do Senhor também tem limites.

Bater num filho com mais de dez anos ou xingá-lo ou humilhá-lo não é a “disciplina do Senhor”.

Este tipo de “disciplina” pode criar filhos que não respeitam os limites daquilo que podem fazer com os outros.

Se queremos criar filhos que respeitam os limites da casa e da família, nós temos que ter limites em como criamos e disciplinamos aqueles filhos.

1. Ensine-os a respeitarem a Deus e os limites que Ele coloca.
2. Ensine-os a lhe respeitarem e os limites que você coloca.
3. Ensine-os a respeitarem os limites que a sociedade impõe.

3. Respeito pelo próximo

** Eu tive um professor de Estudos Sociais que dizia “Seus direitos e suas liberdades terminam onde começam os direitos e liberdades do próximo”.

É meio simplista, mas, há uma verdade muito importante o ditado.

Eu preciso aprender a conviver com limites fora da minha casa.

Eu preciso reconhecer que há um limite naquilo que posso fazer diante da liberdade de outras pessoas.

** Seu Juraci Martins, de 54 anos, vendedor de embreagens remanufaturadas entrou no noticiário brasileiro recentemente pelo fato de ter se negado a pagar a fiança de seu filho Rodolfo, preso por provocar um acidente de trânsito enquanto dirigia alcoolizado e com a habilitação vencida.

Sr. Juraci disse “Fiz isso por amor”.

Ele entendeu que tinha que dar um basta no processo de socorrer um filho que evidentemente havia perdido totalmente os limites em sua vida.

Alguns o criticaram pela atitude, outros apoiaram sua decisão.

Mas, o que ele fez foi colocar limites. Ele não precisou bater em seu filho ou gritar no rosto dele. Ele simplesmente recusou socorrer o filho e o deixou experimentar a conseqüência dos seus próprias erros.

Há vários limites que podemos colocar, dependendo da idade:
- Cortar mesada
- Cortar privilégios como televisão, computador, som
- Colocar limites nos horários de saírem de casa
- Parar de socorrer

Parar de socorrer não quer dizer deixar de ajudar. Mas, quando os filhos tem idade para dirigir, votar ou cursar faculdade, tem idade para lidar com as conseqüências das suas ações.

Ensine seus filhos a respeitarem o próximo e a convivência com outras pessoas que também tem seus direitos e liberdades.

O Brasil atravessa um momento que podemos até dizer é histórico.

Toda uma geração foi criado com o conceito de que a criança deve receber o máximo de liberdade e o mínimo de limites.

Estamos testemunhando as conseqüências desastrosas de tal tipo de conceito de criação.

Salas de aula em caos, medo e violência nas ruas, em grande parte por causa de atitudes de jovens e crianças, e pais perplexos em saber como tirar seus filhos do caminho da criminalidade.

O primeiro passo começa em casa.

Eu volto a lembrar o exemplo de Seu Renato Moreira Carvalho.
Um pedreiro, com pouca educação ou oportunidades na vida.
Ele soube dar o que era melhor para seus filhos – ele deu limites.
Que nós possamos fazer o mesmo com os nossos filhos.

Um dia, no céu, não haverá limite para a alegria e a gratidão que seu filho vai sentir por ter sido criado por você, dentro dos limites que Deus estabeleceu – e no caminho da Salvação.

Faremos isso se

1. Ensinamos nossos filhos a respeitarem a Deus e os limites que Ele coloca.
2. Ensinamos nossos filhos a respeitarem e os limites que nós coloca.
3. Ensinamos nossos filhos a respeitarem os limites que a sociedade impõe.

Que Deus nos abençoe.



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12/08/07