Dia das Mães: A missão especial das mães

de Dennis Downing

Quando estava esperando seu primeiro filho nascer, meu tio queria  um filho alto e atlético.
Seu primeiro filho nasceu meio baixinho e fofinho.
Seu segundo filho nasceu também meio baixinho e magro.

O primeiro filho, meu tio chamava de “gordinho”.
O segundo ele apelidou de “ossos”

Na época, como criança eu prestava atenção nisso, mas, anos mais tarde, minha mãe me contou como doía no coração dela ver meu tio cutucando meu primo, chamando ele de gordinho e rindo dele.

Ele nunca foi gordo.
Mas, também ele nunca foi o que meu tio esperava.

Meu tio gostava muito de futebol e outros esportes.
Meu primo tentou jogar, mas não tinha habilidade.

Então ele aprendeu a tocar um instrumento na banda da escola.
Eu tenho a impressão que o pai dele nunca gostou.

E, ele deve ter sentido isso.

Minha mãe queria uma filha.
Ela esperava que o segundo filho dela fosse uma menina.
Ela até tinha um nome escolhido – Victoria, em honra à famosa rainha do país de origem dela.

Mas, não foi uma Victoria que nasceu.
Foi um Dennis.

Eu nunca desconfiei disso quando era criança.
Só anos mais tarde minha mãe me confidenciou isso.

E ela sempre me assegurou que estava muito feliz por ter dois filhos homens.
Eu sempre me senti muito amado por minha mãe.
Infelizmente, meu primo não se sentiu amado pelo pai dele.

 

De certa forma, todo filho quando nasce é um presente de surpresa.

A gente espera um bebê calminho, tranqüilo.
Aí vem um nenê que não pára de chorar e ter cólica.

Um pai quer um filho para brincar de bola com ele e assumir sua oficina mecânica. E Deus lhe dá uma filha que só quer saber de bonecas e mais tarde quer ser enfermeira.

Uma mãe quer uma filha para conversar e confidenciar coisas do coração.
E ela recebe de Deus dois filhos que só sabem brincar de soldado e cowboy, e mais tarde brigam e discutem aos socos e tapas.

Muitas vezes a gente não sabe o que fazer com os filhos que Deus nos dá.
Infelizmente, alguns filhos acabam sentindo que ou o pai ou a mãe não gostou daquele filho, daquela filha do jeito que Deus lhe deu.

A missão de mãe é um desafio duplamente difícil.
Muitas mães criam seus filhos sozinhas.

E, quando elas têm o pai dos filhos presente, ele geralmente passa a maior parte do dia fora da casa e do ambiente familiar.

Ela muitas vezes tem que tomar decisões, fazer planos, tentar ensinar e influenciar seus filhos praticamente sozinha.

Não é de admirar que as mães são tão reverenciadas.

1 Tim 2:15(ARA)
Todavia, será preservada através de sua missão de mãe, se ela permanecer em fé, e amor, e santificação, com bom senso.

(NVI) Entretanto, a mulher será salva dando à luz filhos se permanecerem na fé, no amor e na santidade, com bom senso.

Há uma tendência de misturar em nossas mentes este versículo com outro:

Gen 3:16 (ARA) E à mulher disse: Multiplicarei sobremodo os sofrimentos da tua gravidez; em meio de dores darás à luz filhos; o teu desejo será para o teu marido, e ele te governará.

Se não tiver cuidado, é possível pensar, de alguma forma ou outra, que o sofrimento da mulher tem algo a ver com a salvação dela.

Não é isso que a Palavra está dizendo.

Em Gên 3:16 Deus fala sobre o sofrimento dela na gravidez e das dores do parto.
Mas, isso não tem nada a ver com a salvação dela.

Paulo fala da salvação da mulher “através de sua missão de mãe”.

Sem entrar em todos as possíveis interpretações desta frase, deixe-me dizer que o que ele provavelmente quis dizer é que, a mulher, como mãe, teve um papel decisivo na salvação, não só dela, mas de toda a humanidade.

É só lembrando do papel de Maria que podemos entender isso.

Deus escolheu trazer nosso Senhor e Salvador ao mundo através de uma mãe.
Ela teve um papel fundamental na própria salvação dela e de toda a humanidade.

Mas notamos na mesma passagem que ele deixa claro que ela precisa “permanecer em fé, e amor, e santificação” (1 Tim 2:15)

Eu gostaria de refletir um pouco sobre estas três qualidades hoje.

É verdade que “permanecer em fé, e amor, e santificação” tem a ver com a salvação da mulher, mas, também tem muito a ver com a salvação dos filhos dela.

Fé 

Como foi que o jovem Timóteo, o braço direito do apóstolo Paulo, chegou ao ponto de poder assumir funções antes só desempenhadas por Paulo?

2 Tim 1:4-5(ARA)
4 Lembrado das tuas lágrimas, estou ansioso por ver-te, para que eu transborde de alegria 5 pela recordação que guardo de tua fé sem fingimento, a mesma que, primeiramente, habitou em tua avó Lóide e em tua mãe Eunice, e estou certo de que também, em ti.

Timóteo, um homem tão importante no ministério de Paulo, ganhou sua fé e anos de preparação através da mãe dele, a qual, por sua vez, ganhou através da mãe dela.

Veja o quanto estas duas mães foram usadas por Deus para realizar grandes coisas no Reino.

Deut 6:6-7 (NVI)
6 Que todas estas palavras que hoje lhe ordeno estejam em seu coração. 7 Ensine-as com persistência a seus filhos. Converse sobre elas quando estiver sentado em casa, quando estiver andando pelo caminho, quando se deitar e quando se levantar. 8 Amarre-as como um sinal nos braços e prenda-as na testa. 9 Escreva-as nos batentes das portas de sua casa e em seus portões.

O processo de repassar a nossa fé aos nosso filhos é algo que precisa penetrar em cada momento das nossas vidas.

Não é algo só para a igreja.
Não é algo só para hora de dormir.
Não é algo só para a leitura da Bíblia em casa.

Note como o ensino ocorre em diversas situações:
ensinar (ensino formal) / conversar (conversa informal)
sentado / andando
em casa / pelo caminho
deitado / levantando
braços “mãos” (o que fazemos) / testa (o que pensamos)
portas (interno) / portões (rua – externo)

A fé Cristã precisa estar presente em todo momento das nossas vidas para que realmente possa transformar as vidas dos nossos filhos.

Mas para isso nós precisamos estar presentes em cada momento das vidas dos nossos filhos. Quando tanto o pai como a mãe trabalham fora de casa, como é que eles vão estar presentes na vida de seus filhos?

É verdade que algumas mães não dispõem da bênção de poder escolher se trabalharão fora de casa ou não.
Algumas mulheres não têm marido para fazer isso, ou as condições de trabalho dele são tão precárias, que ele precisa do auxílio dela na renda familiar.

Mas, se há qualquer possibilidade da mulher se dedicar ao trabalho da casa, e qualquer mulher sabe o quanto é trabalho, ela vai poder se dedicar também a ensinar e criar seu filho no caminho do Senhor.
Não há empregada ou babá que substitua a mãe na criação espiritual dos filhos.

 

** Você já viu a propaganda da cerveja na TV, na qual o garçom pergunta qual cerveja o cara quer, e então eles mostram uma imagem do interior do cérebro dele, onde há inúmeros homens que começam a gritar “a nova Schin”.

Por que é que a propaganda é repetida tantas vezes?
Por que é que a Schincariol gasta tanto dinheiro em propaganda milionária de TV, em outdoors, em revistas e jornais?

Porque os gênios do marketing descobriram o que a Palavra de Deus revelou séculos atrás – para ensinar algo ao ser humano, algo que realmente terá um impacto na vida dele, para levá-lo a realmente querer algo, a buscar algo, a abraçar uma causa – aquilo tem que ser repetido várias vezes e de várias formas.

Aquele conceito tem que estar presente na vida dele desde a hora dele acordar até a hora dele dormir.
É isso que a propaganda tenta fazer.

Mas, Deus chamou o povo dele a seguir este conceito no passar das palavras da fé – ensinando-as dia e noite, em diversas situações e de diversas maneiras.
Fazendo assim, nossos filhos deverão realmente seguir o caminho do Senhor. Mas, novamente, para fazer isso, precisamos de tempo para estar presentes nas vidas dos nossos filhos.

Nossos filhos precisam comer e dormir.
Eles precisam que alguém lave a louça e a roupa.
Eles precisam de alguém para ajudar com a tarefa de casa.

A mãe que trabalha fora e mal tem tempo para sentar em casa não dispõe de tempo nem energia para compartilhar as palavras que dão vida a seus filhos.

É por isso que é tão importante a decisão da mulher, se ela realmente precisa trabalhar fora de casa.

 

** Se você assistir uma hora de novela por dia, você está usando um tempo igual para ensinar seu filho sobre Deus?

A mulher “será preservada através de sua missão de mãe, se ela permanecer em fé, e amor, e santificação” 1 Tim 2:15

 

Amor 

Marcos 3:32-35
32 Muita gente estava assentada ao redor dele e lhe disseram: Olha, tua mãe, teus irmãos e irmãs estão lá fora à tua procura. 33 Então, ele lhes respondeu, dizendo: Quem é minha mãe e meus irmãos? 34 E, correndo o olhar pelos que estavam assentados ao redor, disse: Eis minha mãe e meus irmãos. 35 Portanto, qualquer que fizer a vontade de Deus, esse é meu irmão, irmã e mãe.

Estas palavras do Senhor devem ter doído no coração de Maria.
Jesus tinha razão.
Era preciso dizer isso.

Mas, há situações em que amar seu filho vai exigir toda sua força e mais ainda. Só Deus pode suprir esta força e se você é mãe, precisa mais do que ninguém de um relacionamento bem alimentado com Deus.

- Amar um bebê é fácil. Amar um adolescente que diz que lhe odeia, aí exige amor! - Eu disse isso para minha mãe e ela continuou me amando. Isso é amor! -

Amar seu filho significa amar ele nos momentos e situações realmente difíceis. É nunca desistir de dar uma chance a ele.

O que vai lhe dar força para amar seu filho assim é seu relacionamento pessoal com Deus.
Como vai seu tempo na Palavra, e em oração?
É lá que você receberá a força que precisa para amar seu filho como Deus quer que você o ame.

Santificação

A mulher “será preservada através de sua missão de mãe, se ela permanecer em fé, e amor, e santificação” 1 Tim 2:15

A palavra traduzida como santificação é aquela que significa “separação” e “consagração”.

Normalmente pensamos – “puro” e “santo”.
Mas, a palavra traz também o sentido de separado e dedicado.

Hoje em dia, um dos maiores desafios para a mulher Cristã é conseguir se dedicar à criação dos filhos e ao lar.

A sociedade, nossos familiares não-Cristãos, colegas e vizinhos, em fim, a maioria das pessoas que nos cercam não têm as prioridades de Deus.
Você, mãe, vai se santificar, vai se separar para criar seu filho?

Se você não o fizer, quem fará?
Você, mãe, vai se santificar para criar seu filho?

Você vai separar o tempo necessário para criar seu filho no caminho do Senhor?

Se você não fizer, quem vai fazer?
A Rede Globo?
A escola onde ele estuda?
Seus vizinhos?
Seus familiares?

Quando você estava crescendo, quantas destas pessoas ou entidades se encarregaram de compartilhar as Palavras de Deus com você?
Quantos vão fazer isso com seu filho?

Mãe, separe seu tempo, sua vida, sua pessoa, primeiro para Deus, porque você precisa dele para sua própria força.
Mas, depois de Deus, separe seu tempo, sua vida, sua pessoa, para investir em seu filho e criá-lo no caminho do Senhor.

Fazendo isso, você estará contribuindo, talvez mais do que ninguém, para a salvação dele. Você estará contribuindo para sua própria salvação também.

Que Deus as abençoem.



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11/05/06