de Max Lucado

Ontem à noite, levei a família à casa dos avós para comemorar o Dia de Ação de Graças. Depois de três horas, das seis que levaríamos durante toda a viagem, percebi que eu estava num laboratório teológico.

Um dia com o um carro cheio de crianças ensinará a você muito sobre Deus. Transportar a família de uma cidade para a outra é quase a mesma coisa que Deus nos transportar de nossa casa para a dele. E muitas das horas mais difíceis da vida acontecem quando o passageiro e o motorista discordam sobre o destino.

Uma viagem é uma viagem, seja o destino a mesa da refeição de ações de graças ou a mesa do céu. Ambas requerem paciência, um bom senso de direção e um motorista que saiba que a festa no fim da viagem vale a pena, apesar do sofrimento no meio do caminho.

O fato de que todos os meus viajantes tinham idade abaixo de sete anos, apenas contribuiu para enriquecer minha experiência de aprendizado.

Enquanto os minutos se transformavam em horas e nosso carro deslizava pelos montes, comecei a perceber que o que eu estava dizendo para minhas filhas possuía um tom familiar. Já havia escutado isso antes, e de Deus. De repente, o carro se transformou numa sala de aula. Percebi que eu estava fazendo, em poucos minutos, o que Deus fez durante séculos: encorajar aqueles viajantes que preferiam descansar, em vez de prosseguir a viagem.

Compartilhei a idéia com Denalyn e começamos a descobrir similaridades entre as duas viagens. Aqui estão algumas que notamos.

A fim de alcançar o destino, temos de dizer não aos pedidos.

Você pode imaginar o que aconteceria se um pai resolvesse atender cada pedido dos filhos durante uma viagem? Encheríamos nossa barriga com potes de sorvetes, um após o outro. Nossa prioridade seria pipocas e nosso itinerário mostraria um cardápio de comidas fast-food.

Vá para o Milk-Shake e vire à direita. Siga em frente até encontrar o Cheeseburguer. Siga em frente por mais 1.300 calorias e entre à esquerda na Pizza Gigante. Quando vir o Hot-Dog Especial, vire à esquerda na Coca-Cola e conte 5 lojas de conveniência. No sexto banheiro…

Pode imaginar o caos se um pai saciasse todos esses desejos?

Pode imaginar o caos se Deus resolvesse saciar todos os nossos desejos?

Não é uma palavra necessária para se levar numa viagem. O destino deve reinar sobre o Super Sundae Cremoso.

“Pois Deus não nos escolheu (ênfase minha) para sermos castigados, mas para sermos salvos por meio de nosso Senhor Jesus Cristo.” [1]

Note o destino de Deus para a sua vida: salvação.

O principal desejo de Deus é que você alcance seu destino. Seu itinerário inclui paradas que encorajam sua jornada. Ele não se alegra com paradas que detêm você. Quando o plano supremo dele e o seu plano terreno entram em conflito, uma decisão precisa ser tomada. Quem está na liderança dessa viagem?

Se Deus deve escolher entre sua satisfação terrena e sua salvação divina, o que você esperaria que ele escolhesse?

Eu, também.

Quando estou no assento do motorista como pai das crianças, lembro-me de que sou o responsável. Mas quando estou no banco dos passageiros como um filho do meu Pai, eu me esqueço de que ele é o responsável. Esqueço que Deus está mais preocupado com meu destino do que com minha barriga (embora minha barriga não esteja tão ruim). E eu reclamo quando ele diz não.

Os pedidos que minhas filhas fizeram, ontem à noite, a caminho da casa da vovó, não eram maus. Não eram injustos, nem rebeldes. Na verdade, tomamos muito sorvete e refrigerante, mas a maioria dos pedidos era desnecessária.

Minha filha de quatro anos queria discutir sobre esse fato. Do ponto de vista dela, um outro refresco era indispensável para sua felicidade. Eu sei o que poderia acontecer, por isso disse não.

Um adulto de quarenta anos discutiria sobre o fato. Do seu ponto de vista, um novo chefe seria necessário para sua felicidade. Deus sabe o que poderia acontecer, por isso diz não.

Uma mulher de trinta anos discutiria sobre o fato. Do ponto de vista dela, aquele homem com aquela função e aquele nome era exatamente do que ela precisava para ser feliz. Seu Pai, que está mais preocupado com que ela chegue na Cidade dele do que no altar, diz:

— Espere mais alguns quilômetros. Há uma opção melhor mais a frente no caminho.— Esperar?! — ela protesta. Por quanto tempo tenho que esperar?

Isso nos leva à segunda similaridade entre as duas viagens.

Crianças não compreendem os conceitos de minutos e quilômetros.
— Estaremos lá em três horas eu disse.
— Quanto tempo é três horas? — perguntou Jenna. (Como você explica sobre horas para uma criança que nem sabe ler as horas?)
— Bem, dura aproximadamente como três episódios de Vila Sésamo — eu me arrisquei a explicar.
As crianças gritaram em uníssono:
—Três episódios de Vila Sésamo?! Isso vai durar para sempre!
E para elas duraram.
E para nós, também.

Aquele que “habita a eternidade[2] — colocou a si mesmo como cabeça de um grupo de viajantes que só murmuram:”Até quando, ó Deus, até quando?[3]

Até quando vou ter de agüentar essa doença?

Até quando devo aturar meu cônjuge?

Até quando devo tolerar esse salário?

Você realmente quer que Deus responda? Ele poderia fazer isso. Ele poderia responder nos termos do aqui e agora, ou com a idéia de tempo que conhecemos:

— Mais dois anos agüentando essa enfermidade.
— Vai aturar o casamento para o resto da vida.
— As contas só acabarão daqui 10 anos.

Entretanto, Deus raramente faz isso. Sempre opta por medir o aqui e o agora como e o então. E quando você compara essa vida com aquela vida, essa vida não dura.

“Como a sombra são os nossos dias na terra. “[4]
“À tua presença, o prazo da minha vida é nada.”[5]
“Vocês são como neblina que aparece por um instante e logo desaparece. “[6]
“Quanto ao homem, os seus dias são como a relva; como a flor do campo, assim ela floresce; pois, soprando nela o vento, desaparece; e não conhecerá, daí em diante, o seu lugar.”[7]

— É uma viagem curta. — ofereci uma resposta melhor – Estamos quase lá.

Eu sei, pois já estive lá antes, já dirigi nessa estrada, já passei por esse território. Para mim, não é nenhum desafio. Ah, mas para as crianças, era uma eternidade.

Então, tentei uma outra abordagem:
— Pensem como será bom, — eu tentava melhorar — peru, molhos, torta… eu prometo a vocês que quando chegarmos lá, a viagem terá valido a pena.

Mas elas ainda resmungavam.

O que nos leva para a terceira similaridade.

Crianças não conseguem visualizar a recompensa.

Para mim, seis horas na estrada é um preço pequeno a pagar para comer o bolo de morango que minha mãe faz. Não me importo de dirigir porque sei o que é a recompensa. Tenho três décadas de ações de graças na barriga, literalmente. Enquanto eu dirigia, podia degustar o peru, ouvir as risadas à mesa, sentir a fumaça da lareira.

Podia suportar a viagem porque sabia o meu destino.

Minhas filhas tinham esquecido o destino. Além disso, elas eram jovens demais. As crianças esquecem facilmente. A estrada era estranha e a noite estava chegando. Elas não podiam ver para onde estávamos indo. Era a minha função, como pai, guiá-las.

Tentei ajudá-las a enxergar o que elas não estavam conseguindo ver.

Disse a elas como daríamos comida aos patos, como brincaríamos nos balanços, como elas passariam a noite com os primos. Falamos sobre dormir dentro daqueles sacos no chão e levantar tarde, uma vez que não tinham aula.

E parece que funcionou. Os murmurinhos diminuíram à medida que a visão delas se tornava mais clara, à medida que o destino se desdobrava.

Talvez foi assim que o apóstolo Paulo obteve motivação. Ele tinha uma visão bem clara da recompensa:

“Por isso nós não desanimamos. Pelo contrário, mesmo que o nosso corpo esteja envelhecendo, nosso ser interior vai se renovando dia a dia. Pois as nossas dificuldades são peque-nas e passageiras em comparação com a imensa e eterna glória que elas nos produzem. Nós não nos concentramos nas coisas que podemos ver, mas nas coisas que não podemos ver. Pois o que nós podemos ver é temporário, mas o que não podemos ver é eterno.”[8]

Não é fácil levar três crianças menores de sete anos para ver uma cidade que elas nunca viram. Mas é necessário.

Do mesmo jeito, não é fácil para nós vermos uma Cidade que nunca vimos antes, especialmente quando a estrada está ruim… a hora avançada… e os companheiros esperando para cancelar a viagem, parar e dormir em um hotel. Não é fácil fixar nossos olhos naquilo que é invisível. Mas é necessário.

Uma parte na passagem de 2 Coríntios, que acabamos de ler, me faz sorrir: “as nossas dificuldades são pequenas epassageiras”.

Não teria considerado assim se eu fosse Paulo. Leia o que ele chamou de pequenas epassageiras, e acho que você vai concordar comigo:
•Estar preso;
•Ser açoitado cinco vezes;
•Encarar a morte;
•Ser fustigado com vara três vezes;
•Ser apedrejado;
•Naufragar três vezes;
•Ficar encalhado em alto mar;
•Ficar desprovido de casa;
•Estar em constante perigo;
•Ficar com fome e sede.[9]

Longos sofrimentos, talvez, aflições árduas e mortais, tudo bem. Mas, pequenas e passageiras dificuldades? Como Paulo descreve esses duros momentos intermináveis com essa expressão?

Ele nos conta o que podia ver: “imensa e eterna glória”.

Posso falar francamente por alguns instantes?

Para alguns de vocês, a jornada tem sido longa. Muito longa e tempestuosa. Não M. jeito de minimizar as dificuldades que precisam encarar ao longo caminho. Alguns de vocês carregaram nas costas pesos que poucos de nós poderiam carregar. Despediram-se de velhos amigos, tiveram seus sonhos roubados, têm feito amizades que não podem suportar seu espírito, possuem cônjuges que não toleram sua fé, têm contas que passam muito além do seu ordenado e desafios maiores que suas forças.

Conclusão: você está cansado.

É muito difícil, para você, ver a Cidade em meio às tempestades. O desejo de virar para o acostamento da estrada e sair dela o agrada. Você deseja continuar, mas há dias em que a estrada parece tão longa…

Deixe-me encorajá-lo com um paralelo final entre a jornada da sua vida e aquela que minha família fez ontem à noite.

Vale a pena.

Enquanto eu escrevia, o jantar de Ação de Graças era finalizado. Minhas pernas estavam apoiadas na lareira e meu bloco de anotações, sobre elas.

Tinha a intenção de cochilar assim que terminasse o capítulo.

O peru havia sido atacado. Os restos mortais da pobre ave tinham sido devorados. A mesa estava limpa, as crianças dormiam e a família inteira estava feliz.

Enquanto sentávamos ao redor da mesa, ninguém comentou sobre a longa viagem até ali, ninguém mencionou os pedidos que não atendi, ninguém resmungou que meu pé continuara no acelerador, ao mesmo tempo que os coraçõezinhos estavam focalizados nos sorvetes.

Ninguém reclamou de chegar tarde.

Os desafios do dia anterior se dissiparam com a alegria daquele dia.

Era sobre isso que Paulo estava tentando explicar. Deus nunca disse que a jornada seria fácil, mas ele disse que a chegada valeria a pena.

Lembre-se disso: Deus pode não fazer o que desejamos, mas ele fará o que é correto… e melhor. Ele é o Pai do caminhar para frente. Confie nele. Ele o levará para casa, e os momentos difíceis da viagem se dissiparão com a alegria da festa.

Agora, se você me dá a licença, vou fechar meus olhos, pois estou um pouco cansado da viagem, e me parece muito bom descansar.



[1]1 Tessalonincenses 5:9 [2]Isaías 57:15 [3]Salmos 74:10; 89:46 [4]1 Crônicas 29:15 [5]Salmos 39:5 [6]Tiago 4:14 [7]Salmos 103:15-16 [8]2 Coríntios 4:16-18 [9]2 Coríntios 11:23-27


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O livro de Max Lucado do qual este capítulo foi extraído,
“Um Dia Na Vida de Jesus”, pode ser encomendado da Editora Vida Cristãselecionando a capa do livro ao lado:

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